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Boca de Cena entrevista... Carolina Mânica

Boca de Cena entrevista... Carolina Mânica

Boca de Cena - Como foi a temporada de Três Mudanças no SESC Ipiranga e quais as expectativas agora, no Teatro Itália?
Carolina Mânica - Fizemos uma temporada muito boa no SESC Ipiranga, tanto de público quanto de retorno de crítica. Isso na verdade nos estimulou a continuar e deu a confiança de que o projeto não podia parar. Estar em cartaz hoje em dia é uma vitória, levantar um projeto e reunir pessoas para realizar, ao meu ver, já é uma atitude a ser reconhecida, e por esse motivo não se pode parar. É importante termos respeito pela confiança daqueles que trabalharam junto no projeto e fizeram acontecer. A ida para o Itália faz parte dessa continuidade do espetáculo. 


BC -
A peça conta um pouco sobre a fragilidade das estruturas familiares. Vivemos tempos em que tradições e conceitos antigos também têm sido questionados. A montagem leva a essa reflexão? Como você enxerga as famílias atuais?
CM - A peça leva a diversos questionamentos relacionados as relações familiares mas acredito que não se trata do que é antigo e do que é novo. Se trata de questionamentos humanos que existem em qualquer configuração familiar, das relações entre irmãos, da cobrança de ter que estar em um padrão, da inexistência de uma família perfeita que não seja apenas pela aparência, das fragilidades das relações humanas, do quanto as pessoas se corrompem para atingir um status social, da individualidade, do egoísmo, das frustrações.... enfim, reflexões legítimas e que fazem parte do mundo em que vivemos. Temos que parar para pensar sobre isso, olhar para nossos defeitos e qualidades, nos conhecermos, pois a vida não é o corresponder ao padrão mas a alegria de estar satisfeito com si próprio e aceitar o outro como um indivíduo livre e não como um objeto de realização das nossas expectativas. 


BC -
A solidão das relações também é um dos recortes da montagem. Em uma época de redes sociais e superexposição, a que você credita esse sentimento de solidão que carregamos? Como podemos melhorar isso?
CM - Acredito que o auto conhecimento é sempre o caminho e a cura. As redes sociais não fazem nada além de escancarar a necessidade de atenção que as pessoas tem, você para de olhar para si e passa a olhar para o outro, para o like, o comment, os seguidores. Isso passou a ser um ideal de aceitação de si próprio e da sociedade em geral. Ao mesmo tempo também há muitas coisas boas ali. Existem pessoas fantásticas que hoje tem um veículo para expor conteúdo que ajudam na autoaceitação. Então é uma faca de dois gumes, cabe a  você reconhecer o lado que corta e para isso o caminho é o autoconhecimento, sempre.


BC -
A idealização da montagem é sua (além da atuação). Da onde veio a inspiração?
CM - Esse já é o terceiro projeto que idealizo. Estou sempre buscando histórias que quero contar e textos que acredito que sejam importantes de serem montados. Não sou uma atriz de esperar, acredito que o caminho da realização é a melhor forma de nunca parar. Somo artistas, temos um senso crítico, idéias e pensamentos que necessitam serem extravasados. 


BC -
Quais são os planos futuros? Em que outros projetos poderemos te encontrar?
CM -Tenho um filme para lançar fora do Brasil, minha primeira atuação em uma produção internacional, em espanhol. É uma comédia e  deve estrear em agosto na Argentina e Uruguai. Essa peça, Três Mudanças, também não deve parar, ainda temos bastante a fazer com ela. 
E sim... tenho outro projeto em Teatro que já comecei a idealizar, mas leva tempo. 

BC -
Para você, qual o papel do teatro em discussões e reflexões de questões delicadas à sociedade atual?
CM - O teatro é essencialmente uma arte de resistência, em todos os sentidos. Nunca vai morrer, você pode fazer teatro na sala de casa, na esquina, só precisa de um ator e um platéia (que seja 1 pessoa ou transmitir pela internet). Uma das artes que mais transformam as pessoas, gera experiência, formação de espírito crítico.
Eu acredito no Teatro, no seu poder de transformação e formação. 

BC -
O que poderia ser feito para que mais pessoas passem a frequentar os teatros?
CM -
Educação, educação, educação...

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