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Boca de Cena entrevista...Lucas Mayor

Boca de Cena entrevista...Lucas Mayor

Boca de Cena - Da onde partiu a inspiração para discutir nos palcos os impactos da separação dos pais para a vida das crianças?
Lucas Mayor - Partiu inicialmente da minha própria experiência. Sou filho de pais separados. Tenho duas filhas e também me separei. O tema surgiu naturalmente dessa vivência. Mas é um texto feito a muitas mãos. Somos quatro dramaturgos e, a partir do momento que fechamos a ideia de pensar a separação dos pais e o impacto na vida das crianças, fomos respondendo ao texto do outro. Partiu da Bruna Pligher o primeiro texto, de um garoto que monta acampamento no porão da casa da mãe, decidido a morar ali, já que o trânsito constante entre casas não o agrada. Em seguida veio o meu, de uma menina às voltas com discussões com seu terapeuta; na sequência veio o texto do Marcos, que repassa a vida de duas crianças da infância à vida adulta, desde o primeiro beijo, o nascimento do filho à separação; por último, convidamos a dramaturga Claudia Barral, que refletiu sobre a separação trazendo à cena um anjo, espécie de amigo imaginário de Lucila.    

BC -
Você acha que peças infantis ainda subestimam a capacidade de discussões mais sérias, pelas crianças?

LM - Não acho de forma alguma que as peças infantis em cartaz subestimem a capacidade das crianças, pelo contrário. Há ótimas peças em cartaz. Mas penso que há um recorte que não é atendido. Que está entre os 11, 12, 13 anos, nesse espaço meio indistinto entre a criança e o adolescente. Observo isso por conta da minha filha de 12 anos, que parece meio indiferente às peças que frequentemente assistimos.      

BC -
Você acha que montagens como Nem isso nem Aquilo podem ajudar pais a abordar questões delicadas e polêmicas com seus filhos?

LM - Sim, a peça surgiu desse desejo, de implicar pais e filhos numa discussão saudável sobre o efeito e as consequências desse evento. Penso que a peça colabora, naturaliza e promove esse diálogo, de maneira divertida e sincera.    

BC -
Como é dividir a direção do espetáculo com Marcos Gomes?

LM - Conheci o Marcos em 2014, depois de assistir a uma de suas peças, Recursos Humanos, que é ótima, por sinal, e dali em diante temos uma parceria extremamente prazerosa. Frequentemente pensamos parecido, e quando não pensamos encontramos uma via comum, possível.  

BC -
Quais são os próximos projetos que poderemos contar com sua direção?

LM - Estou em cartaz atualmente com a peça Trabalho, outra parceria com o Marcos. Essa também uma peça feita a muitas mãos, escrita por mim, pelo Marcos, pela Bruna Pligher e pela Carla Kinzo. Continuo fazendo a curadoria do Terça em Cena, projeto mensal do Teatro Cemitério de Automóveis voltado para a montagem de peças curtas da nova dramaturgia. E pretendemos seguir com o Sabadinho, conjunto de peças que tematizam, entre outras coisas, a infância, a família e suas extensões.

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