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Boca de Cena entrevista...Maria Bia

Boca de Cena entrevista...Maria Bia

Boca de Cena - Maria, como é a sensação de participar da reestreia do musical "CARMEN, a grande pequena notável"?
Maria Bia - Não sei se vocês já conhecem a história do início desse projeto, mas a idéia surgiu quando nosso diretor, Kléber Montanheiro, dando uma aula em um curso de teatro, perguntou sobre Carmen Miranda. Pra sua surpresa, percebeu que alguns alunos não conheciam direito a história desse verdadeiro ícone brasileiro. Tinham apenas uma vaga e distante idéia de quem era. Naquele momento, percebeu que parte da nossa história e cultura estava se perdendo.
No intuito de fazer a sua parte para que isso não acontecesse, decidiu montar uma peça pra falar de Carmen. No mesmo dia, viu na vitrine de uma loja o livro de Heloísa Seixas e Júlia Romeu: "Carmen: A Grande Pequena Notável". Dessas coincidências boas do destino. Era um livro para crianças. Na época, Kléber só tinha conhecimento da biografia de Ruy Castro. Por isso, decidiu montar esse musical em formato infantil. Para que as crianças e adolescentes pudessem conhecer melhor a história dessa artista que fez história. E que história!!! E não se enganem quanto ao musical ser infantil, porque é para a família toda. Nossas sessões costumam lotar com crianças, adolescentes, adultos e muitas senhoras e senhores da terceira idade.  
Então, minha sensação é de felicidade, por fazer parte desse projeto lindo, com uma equipe profissional e comprometida em continuar contando essa história tão necessária. Tem peças que eu acho que nunca deveriam sair de cartaz. "Carmen, a Grande Pequena Notável" é uma delas.


BC - Como foi a preparação para viver Madame Boss? Como foi a participação dela na vida de Carmen Miranda?
MB - A Madame Boss era a dona da loja de chapéus onde Carmen Miranda trabalhou. Ali começou seu gosto por moda. Como dizemos em uma frase da peça: Carmen Miranda era a própria personal stylist. Sempre foi ousada e inovadora na hora de se vestir. Ela desenhava seus próprios figurinos.
Madame Boss é uma francesa, então, fui estudar um pouco com minha amiga Juliana Birchal para fazer bonito no sotaque. A verdade é que estudar francês sempre foi uma vontade e que, com a personagem, ficou ainda maior. Eu atualmente estou estudando em uma escola dentro da USP. Nível básico, mas já consegui melhorar e muito meu sotaque para Madame Boss.
Para os personagens da peça, que além da Madame Boss faço alguns outros que também passaram pela vida de Carmen, trabalhamos os tipos da Commedia Dell´arte com nosso diretor durante os ensaios. Foi um trabalho fundamental para diferenciar e construir cada personagem.


BC - Como é reviver a história de um dos maiores ícones da cultura brasileira nos palcos?
MB - Me sinto muito honrada por ter sido escolhida pelo Kléber para estar nesse time que conta essa história. A nossa Carmen é feita por Amanda Acosta que dá vida com tanta verdade que realmente é uma viagem no tempo em cada apresentação.
Esse projeto é muito especial para mim também porque desde o início e da concepção de tudo, Kléber sempre teve meu nome em mente. Desde quando o projeto ainda nem tinha sido aprovado pelo Prêmio Zé Renato no início de 2018. Acho chique ser a primeira opção de um diretor conceituado como ele e que eu sei que tem um carinho enorme por esse projeto. Sou grata! E minha admiração e carinho por ele só aumentaram no decorrer do trabalho.


BC - Depois dessa temporada, que acaba agora em abril, há previsões para as próximas?

MB - Sim. Inclusive essa semana a produção perguntou sobre nossa agenda de trabalhos para começar as negociações de próximas temporadas. Pelo que eu sei, as conversas estão avançadas para uma temporada no Rio de Janeiro. Acho que faremos também interior de São Paulo e, por que não, mais uma ou algumas temporadas aqui em São Paulo mesmo em outros teatros que já estão interessados na nossa Carmen. Pode até ser que haja uma prorrogação dessa temporada de agora no Teatro Itália. Quem sabe?! Dependemos do público e da procura. O sonho seria fazer uma temporada em Portugal também, né? Tem tudo a ver levar esse trabalho para terra onde Carmen nasceu.

BC - Além da peça, você também está no ar apresentando o programa "Brasil Toca Choro", da TV Cultura; e gravando a série "Escola de Gênios", como a tutora Mirna do canal Gloob. Como é conciliar todas essas atividades?
MB - Eu amo o que eu faço, então isso ajuda muito quando o trabalho está intenso e tomando quase todo o meu tempo. O artista tem uma relação diferente com o trabalho, né? Tem semanas que eu trabalho de segunda a segunda. Hoje, uma sexta-feira, estou de folga e parei aqui para responder a entrevista. Algo que, de certa forma, ainda me deixa em contato com o meu trabalho.
No caso do "Brasil Toca Choro", o programa foi gravado há muito tempo. Final de 2017 e início de 2018. Agora, devido ao sucesso e repercussão, o canal está fazendo reprises. Sempre aos domingos, ás 11h, e também as terças-feiras, às 22h30. O programa também ganhou adaptação radiofônica na Cultura FM.
A série "Escola de Gênios" atualmente estou gravando a quinta temporada. Tem semanas que o ritmo de gravações está intenso e fico imersa no set. Em outras, não estou escalada e consigo super conciliar com outras atividades como o teatro e shows musicais que faço pela minha empresa. Acabamos de estrear a segunda temporada no Canal Gloob. Minha personagem, no entanto, só chega na terceira temporada que já está disponibilizada na Globoplay. São 26 episódios. O programa é de uma qualidade única e diferente de tudo que já foi feito para crianças no Brasil. Não é à toa que já está vendido para mais de 40 países. Mirna, minha personagem, vai falar em todas as línguas. rs...


BC - Sabemos também que está ensaiando as peças "Segunda O Kê?" - vivendo a Helena (com estreia no dia 1 de abril); e "Depois daquela Viagem", interpretando a protagonista Valéria (com estreia em 4 de maio). O que pode nos adiantar desses espetáculos e seus respectivos papeis? 
MB -
Já estou em cartaz com o Segundaokê. Vamos até o dia 20 de maio, sempre ás segundas, às 21h, no Teatro viradalata. Faço a personagem Helena que é frequentadora assídua de um Karaokê. Aliás, é em um karaokê que a trama toda se desenvolve. É inspirado em "Sonho de uma noite de verão" de Shakespeare. Vários encontros e desencontros de dois casais. Posso adiantar que essa peça tem bastante interação com a plateia que, inclusive, também pode cantar em determinados momentos. É um bar/karaokê de verdade. Acho que essa é a grande sacada desse espetáculo.
Quanto ao "Depois Daquela Viagem" é uma peça que eu já faço desde 2011 quando estreamos no Sesc Consolação. Tenho um carinho especial por essa trupe que mudou a minha vida. Nessa nova temporada, que vamos fazer graças ao Prêmio Zé Renato, eu darei vida a protagonista Valéria. O texto é de Dib Carneiro Neto e é baseado no livro da própria Valéria que contraiu o vírus do HIV com 16 anos de idade. É uma história real. Esse livro é best-seller por ser bastante adotado em escolas. Falando em escolas, o nosso público alvo são mesmo os adolescentes. É um trabalho imperdível. Transformador para quem faz e para quem assiste. Taí outra peça que pode ficar sempre em cartaz. Esse assunto tem sempre que estar na pauta e a peça fala disso de uma forma que acolhe a todos. Bom, cêis já viram que eu sou bem fã desse trabalho. Vocês também vão ficar quando forem ao teatro. Só vem!!!  


BC - Pensando sobre a cena teatral em São Paulo, o que mais poderia ser feito (tanto em esferas públicas como privadas) para incentivar que mais pessoas passem a ir ao teatro? 
MB - Confesso que, no momento atual, eu nem sei se algo tem sido realmente feito para formação de público. Todo mundo tentando entender as mudanças das leis de incentivo e os rumos que esse novo governo está tomando. Mas uma coisa é certa: na adversidade a gente cresce e se reinventa e estou vendo muitos artistas nesse movimento. Resistência. Resiliência. Vamos seguir fazendo arte.


BC - Fique à vontade para comentar algum ponto que achar importante.
MB - Esse não é meu primeiro contato com a história da Carmen. No ano de 2006, quando eu ainda morava em Brasília, vim para São Paulo fazer um curso na Casa de Artes Operária. Fizemos a montagem do espetáculo South American Way de autoria de Miguel Falabella. Tivemos a direção de Rogério Mathias. Foi um mês intenso de imersão na história da pequena notável. Fizemos duas apresentações no Teatro Brigadeiro. Outro trabalho que transformou minha vida pra sempre. Eu ainda nem trabalhava profissionalmente com arte. Tenho muito carinho por toda a minha trupe do South American e, nos agradecimentos do Musical "Carmen – A Grande Pequeno Notável", fiz uma menção especial a eles. 
 

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